Olá, meu amigo investidor! Tudo bem com você? Seja bem-vindo de volta ao blog Bendito Dinheiro. Se caiu de paraquedas, saiba que este não é nosso primeiro post a respeito do livro O Manual do Pequeno Investidor em Ações. Estamos estudando este livro para aprender a comprar ações de empresas sólidas, e a ideia é que até o final deste post você já saiba qual ação de qual empresa comprar primeiro. Então super recomendo que você veja os posts anteriores e faça os desafios, pois eles vão te ajudar demais!!
Antes de começarmos, aquela pergunta de praxe: já leu o livro? Está lendo? Espero que esteja lendo ou já tenha lido e somente me acompanhe aqui para praticar e reforçar o conhecimento. Agora, vamos ao ponto do post: fluxo de caixa. Por que ele existe? O que significa isso? Como usar para minha análise e como analisar ele? Bora entender isso agora!
O que é fluxo de caixa?
O fluxo de caixa é literalmente um fluxo que mostra a entrada e saída de dinheiro de uma empresa, ou seja, quanto dinheiro foi movimentado por essa empresa. Logo, temos o dinheiro que entrou, que saiu para dividendos, pagamento de funcionários etc. Agora um detalhe, temos basicamente três documentos que são utilizados para saber como anda a empresa. O primeiro é o balanço patrimonial, que coloca os passivos e ativos de uma empresa lado a lado. Temos também os demonstrativos do resultado do exercício social, que são as receitas e despesas de uma empresa em um período de atividade, ou seja, é o lucro vs. as despesas ou prejuízos. E temos o fluxo de caixa, que é um fluxo do dinheiro movimentado pela empresa, quanto entrou e quanto saiu.
Pera lá, tá ficando confuso… Calma! Vamos entender duas coisas: regime de competência e regime de caixa. O regime de caixa até dá pelo nome para entender, mas vamos lá! Vou usar um exemplo para explicar o regime de competência, imagine o seguinte, que um rapaz entrou em um bar e comprou R$100,00 em bebidas para ele e seus amigos, e na hora de pagar meteu que não tinha o dinheiro agora e que só teria na outra semana. O dono do bar aceita receber o pagamento só semana que vem, e registra em seu demonstrativo do resultado os R$100,00 como recebido/lucro, porém ele ainda não recebeu esse dinheiro, só receberá semana que vem, mas no demonstrativo isso já está registrado.
Chamamos isso de operação a prazo, ou a termo, onde considera-se operações futuras como já realizadas, ele não recebeu os R$100,00, não tem o dinheiro, mas ele registra sabendo que semana que vem receberá. Isto é o regime de competência, as operações a prazo são registradas sem problema algum. Qual o problema? Imagine neste mesmo caso, se o dono do bar no dia seguinte tivesse que pagar seus fornecedores? Por mais que ele registre os R$100,00 sem ter, precisa pagar os fornecedores, então no fim das contas, fará uma dívida para arcar com seus deveres. Sacou o que é o regime de competência? Os demonstrativos do resultado do exercício e o balanço patrimonial usam ele, pois os ativos e passivos também são considerados a prazo.
Agora no regime de caixa a coisa muda… Nada de registrar operações a prazo, só é registrado o que de fato entrou no caixa, então no exemplo acima, se os R$100,00 não entraram no caixa, eles não vão para o fluxo, e se ele fizer dívida, também registrará como dívida. E aí que entra a vantagem, podemos saber exatamente, sem distorções, as movimentações da empresa, de fato. Claro, isso não anula os outros relatórios contábeis, todos têm sua importância, mas aqui vamos usar o fluxo de caixa, pois já usamos o balanço e o demonstrativo em outros posts.
Entendido? Vamos entender agora quais fluxos existem, são poucos e bem simples de entender. Bora lá!
Entendendo todos os fluxos
Vamos começar entendendo o principal fluxo de caixa, o fluxo de caixa livre, com um exemplo bem prático. Imagine que uma gelateria receba x de receita no mês. Lembre-se: apenas regime de caixa, somente as movimentações de fato feitas. Blz, desse x valor, a gelateria vai precisar fazer o pagamento que faz tudo funcionar, como funcionários, impostos etc. Já falei sobre receita e lucro aqui no blog, dá uma fuçada que você acha. Mas o que precisamos entender é que o dinheiro que sobra após esses pagamentos, chamamos de fluxo de caixa livre. Isso nos interessa porque esse dinheiro é o que vai ser usado para pagar você, seu bolso.
Com base nisso, já podemos interpretar duas coisas: esse FCL não pode ser negativo. Se está negativo, significa que não sobra nada após pagar pelos custos de funcionamento. Então consequentemente não vai sobrar nada para mim hahaha e pior, isso pode significar ainda que a empresa venha a fazer dívidas para bancar seus custos. Agora e se ele for positivo? Aí entendemos que está tudo bem e o negócio pode fazer investimentos, pagar aos acionistas etc. Isso que buscamos, queremos lucrar também com as empresas.
Blz, entendemos o primeiro fluxo de caixa e um dos mais importantes, mas ele exige dois outros fluxos para atingir o seu resultado. Estamos falando do Fluxo de Caixa Operacional e o Fluxo de Caixa de Investimento.
E temos o Fluxo de Caixa Livre. Vamos ver com exemplos o que é o operacional e o de investimentos.
FCO = fluxo de caixa das atividades operacionais, este se refere ao fluxo das operações menos os gastos decorrentes da industrialização, comercialização e prestação de serviço da empresa.
O Fluxo de Caixa Operacional representa o dinheiro movimentado com as atividades operacionais da empresa, como na gelateria, seria a venda de seus produtos, menos os custos de funcionamento operacional da empresa, os custos de existência dela. Como alguns exemplos, podemos citar o pagamento de colaboradores, transporte, custos logísticos, matéria-prima de um produto, entre outros.
Este é o famoso fluxo de caixa operacional, o dinheiro recebido das atividades da empresa menos os seus custos operacionais.
FCI = Fluxo de Caixa de Investimentos é o dinheiro gasto com as atividades de investimento da empresa, como novos equipamentos, a compra de novos locais para expansão, outros ativos. Logo, nos mostra o dinheiro saindo para a expansão do negócio, portanto esse valor será negativo, pois mostra a saída de dinheiro.
Perfeito, temos os dois fluxos que vão nos dizer o fluxo de caixa livre. Vamos imaginar o seguinte agora, que a receita da gelateria foi no total de R$500.000,00, mas como nada funciona de graça, seus custos operacionais foram de R$250.000,00, resultando assim no FCO de R$250.000,00.
Além disso, a gelateria se expandiu nesse período, comprou novos equipamentos, adquiriu um novo local, e seu custo total de atividades para expandir foi de R$100.000,00, esse é nosso FCI. Lembre-se, ele é negativo, pois representa a saída de dinheiro.
Pronto, podemos calcular nosso fluxo de caixa livre, veja só o resultado:
FCL = R$ 250.000,00 + (-R$ 100.000,00) = R$ 150.000,00.
A gelateria fez sobrar dinheiro, agora pode pensar em outros investimentos e pagar, claro, seus acionistas. E para fechar com chave de ouro, o Fluxo que representa a quantidade de dinheiro saída para pagar os acionistas, e pagar ou receber empréstimos, é o fluxo de caixa financeiro. Como ele representa saídas para pagamento de dívidas e dividendos, também é negativo, mas se por acaso ele permanecer positivo, pode ser que a empresa tenha pegado mais empréstimos e é bom abrir o olho.
Analisando os fluxos de caixa
Pronto, já compreendemos o que precisamos compreender para iniciar a análise dos fluxos de caixa e como interpretar cada resultado. Destaco que esse entendimento irá nos servir apenas para esta situação, de análise de empresas, se você quiser ficar expert em fluxos de caixa, procure ler mais sobre cada um deles. Como não iremos usar tudo, vamos focar no que precisamos para analisar, interpretar e concluir o que interpretamos, fechou?
Vamos abrir a página da nossa empresa na Status Invest, e procurar por uma seção chamada “Fluxo de Caixa”, como escolhi a Sanepar para analisar, irei abrir a página de resultados da Sanepar na Status Invest, mas abra a que você escolheu e me segue no passo a passo:
Depois de localizado a seção, clique em “ver mais”, em vermelho, para expandir os fluxos existentes:
Veja como a Status Invest condensa várias informações, facilitando nossa análise, se estes sites não existissem, teríamos que ler relatórios contábeis para saber de tudo.
Vamos começar pelo fluxo de caixa de atividades operacionais, chamado de Caixa Líquido Atividades Operacionais neste caso. Vamos clicar no ícone de gráfico ao lado do nome do fluxo:
Ao clicar, vamos ver os resultados da empresa ao longo dos anos, veja só como o resultado da Sanepar é muito bom, crescente:
Vamos checar, na sequência, o fluxo de caixa de atividades de investimento, caixa Líquido Atividades de Investimento neste caso. O que esperamos? Que ele seja negativo, de fato, mas é bom ver como anda o gráfico, se tem crescido demais ultimamente, podendo indicar uma expansão da empresa, ou se tem encurtado, podendo indicar a saída de um período recente de investimentos. Vamos olhar isso:
Veja como os investimentos têm sido intensificados nos últimos anos, isso pode estar nos indicando um período de expansão e crescimento da Sanepar. Só devemos ficar atentos se no longo prazo isso terá efeito, avaliando se o lucro venha a aumentar e se o pagamento de dividendos também, além de claro a redução gradual deste gráfico.
Agora sim, checando estes dois fluxos, podemos partir para o fluxo de caixa livre, e checar o dinheiro que sobra para pagar dividendos e outros investimentos. É importante que este fluxo esteja positivo a maior parte do tempo. Vamos verificar:
Observe como recentemente o fluxo de caixa livre deu uma reduzida, isso muito provavelmente é explicado pelos investimentos feitos pela Sanepar, que têm consumido mais do caixa gerado com suas atividades. Essa queda é esperada, mas em longo prazo pode vir a trazer muitos frutos, principalmente para o seu bolso. Mas não custa nada ficar de olho.
Por fim, vamos verificar o fluxo de caixa financeiro, e ver o dinheiro destinado ao pagamento de empréstimos ou empréstimos feitos, e claro, o dinheiro que saiu para pagamento dos seus acionistas. Vale destacar que na maior parte do fluxo ele deve ser negativo, pois representa a saída de dinheiro. Vamos verificar isso:
Observe como 2014 foi um ano em que a empresa acabou pegando mais empréstimos do que o normal. Contudo, ela voltou a pagar mais dividendos e suas dívidas nos anos seguintes, claro que com valores menores considerando o momento de expansão atual da empresa. Espera-se que com o tempo, e com os investimentos maturando, nós venhamos a colher os frutos junto com a empresa, e receber dividendos cada vez melhores!
Estou pronto para comprar ações?
Mas a pergunta que fica é: estou realmente pronto para comprar ações? Investir em empresas? A resposta só você saberá responder. Se sente confiança na empresa, se analisou ela seguindo os critérios que estudamos, e ela vem apresentando bons resultados, sim, talvez seja bom comprar e manter ela na sua carteira, pensando no longo prazo. Agora se você não sente confiança na empresa, é sempre bom avaliar se é hora de comprar ou não, ou se mesmo é bom alterar a empresa por outra, mais sólida.
Enfim, quem sabe se você está pronto ou não é você mesmo. Use a análise que fizemos para refinar cada vez mais seus estudos e quem sabe elaborar sua própria metodologia, seguindo seus critérios estabelecidos. Aprenda com sua experiência e nunca deixe de ler mais e mais sobre finanças, sempre aprendemos algo novo, é sério! Hahahahaha
DESAFIO:
E para fechar, desafio! Analise o fluxo de caixa da empresa que você escolheu e veja se ele é bom ou não, seguindo o estudo deste post. Ao final, feche sua análise e conclua se vale ou não a pena comprar ações da empresa, se tornar sócio dela. Além disso, guarde esse documento com toda a análise em uma pasta, para posteriormente consultar ele, daqui um ano, e comparar os resultados obtidos com o ano em que está. Exemplo, ao final de 2023, veja se os resultados seguem a análise feita anteriormente e se continua valendo a pena comprar ações dela.
