Olá, querido investidor, tudo bem?
Seja bem-vindo a mais um post aqui no Bendito Dinheiro, fazia um tempo que não produzia alguns tópicos “avulsos” sobre finanças pessoais, sei que estavam sentindo falta, então hoje decidi falar sobre um tema que já discuti, li bastante e vi alguns vídeos na internet: carro no Brasil: necessidade ou luxo?
A ideia é discorrer sobre o tema sem julgar ou criticar ninguém, quem tem carro ou quem não tem, é apenas um tópico para tratar sobre uma situação geral no Brasil: o mercado de automóveis e como nós entramos nisso, tendo em vista que um terço da população brasileira vive de salário mínimo (https://g1.globo.com/economia/censo/noticia/2025/10/09/mais-de-um-terco-dos-trabalhadores-do-pais-recebe-ate-um-salario-minimo-diz-ibge.ghtml).
Então vamos lá, direto ao ponto, e ah, não posso esquecer de comentar: ESTE POST REPRESENTA A MINHA OPINIÃO SOBRE O ASSUNTO, ou seja, se você discordar, está dentro do seu direito como cidadão brasileiro e eu respeito se sua opinião for contrária. Deixo claro isso e deixo ainda mais claro que se quiser se posicionar, comente nos comentários, vamos interagir e compartilhar nossos pontos de vista.
Vamos ao post…
Vamos começar pelo básico: quanto custa ter um carro no Brasil?
Neste post, vou usar dois carros chamados de “populares” no nosso país: Fiat Mobi e Renault Kwid, dois veículos que competem entre si pelo título de mais econômico e mais “acessível”. Ao acessar a página do Mobi, já começo a passar mal com os valores dos carros zero: entre R$ 83 mil e R$ 85 mil. Basta conferir:
https://mobi.fiat.com.br/versoes/fiat-mobi-versoes-like
Beleza, ainda estamos falando de carros zero. Vamos supor que você tenha preferência pela Renault e opte pelo Kwid, que também é econômico. Adivinha? Cerca de R$ 80 mil. Isso mesmo. Duvida? Veja com seus próprios olhos:
https://www.renault.com.br/veiculos-de-passeio/kwid.html
Opinião do autor: em minha humilde opinião, esses carros não valem esse valor nem aqui nem em Marte. Já tive a oportunidade de andar de Kwid e hoje utilizo um Mobi, pois é o carro que temos no momento. Falo com toda certeza: o carro não vale R$ 80 mil. O interior é, como esperado, composto por plástico duro, com poucos recursos básicos de ergonomia. Pessoal, ergonomia! Isso deveria ser um foco básico em qualquer carro. O que salva esses veículos ditos populares é a economia, mas apenas isso.
Sugiro que, caso discorde de mim, assista aos vídeos:
- Fiat Mobi Way 1.0: https://www.youtube.com/watch?v=QTc2UE71Q9c
- Renault Kwid Intense 2020: https://www.youtube.com/watch?v=rkY6ZA_qIYE
Com toda certeza, esses carros, zero quilômetro, não valem esse preço.
Então tá certo: carro zero está fora de questão, muito caro. Apenas 7,6% das pessoas ocupadas têm rendimentos superiores a cinco salários mínimos no Brasil, equivalente a R$ 6.060 em 2022. Até daria, dependendo dos gastos, para alguém nessa faixa salarial se comprometer com um carro zero como esses. Mas, considerando que a maioria ganha menos do que isso, carro zero é inviável para grande parte da população.
Então vamos para os carros usados. Vamos avaliar o valor desses “populares” no mercado. Começando pelo Fiat Mobi: no site Carros na Web, o valor desse carro usado gira em torno de R$ 50 mil. Confira:
https://www.carrosnaweb.com.br/fichadetalhe.asp?codigo=11646
Já o Kwid, no mesmo site, gira em torno de R$ 40 mil. Veja:
https://www.carrosnaweb.com.br/fichadetalhe.asp?codigo=11575
E digo mais: esse site ainda pega leve, pois apresenta uma média. Na sua cidade, o valor pode ser ainda maior.
Gente… respira. Sim, esse é o valor de um carro usado, um carro popular usado. Não estou exagerando. Melhorou em relação ao zero? Sim. Mas ainda acredito que não valem esse valor. Ainda assim, começa a ficar um pouco mais acessível para quem ganha na faixa de R$ 4 mil a R$ 5 mil, talvez seja possível arcar com a compra após juntar algum dinheiro.
Beleza, vimos que os valores dos carros populares são altos, mesmo usados. Zero, então, esquece. Mas falamos apenas da compra, ainda não consideramos IPVA, seguro e manutenção. No próprio site Carros na Web, vemos que, para o Fiat Mobi, o valor somado de IPVA e seguro pode chegar a cerca de R$ 2 mil. Já o Kwid tem IPVA por volta de R$ 1.500 e seguro na faixa de R$ 1.800.
Vai acrescentando aí na conta: além de pagar um valor alto no carro, você ainda precisa reservar dinheiro anualmente para IPVA e seguro. É uma pancada no orçamento.
Agora, deixando um pouco de lado os custos, vamos analisar o perfil brasileiro. Como vimos, uma pequena parcela da população ganha cerca de R$ 6 mil. Mesmo considerando dados recentes, que podem ter melhorado ligeiramente, ainda sabemos que grande parte da população vive com até três salários mínimos e, muitas vezes, nem isso.
E aí você decide ir para o transporte público, com tarifas que aumentam ano após ano e ainda podem subir mais:
https://clickpetroleoegas.com.br/transporte-publico-brasil-aumento-tarifas-jornada-40-horas-impacto-bilionario-setor-caes/
Além disso, há a questão da qualidade: ônibus frequentemente lotados, atrasos constantes e longos tempos de viagem. Infelizmente, essa é a realidade de muitos brasileiros. E ainda tem gente que diz que as 24 horas são iguais para todos…
Por outro lado, há quem utilize Uber e outros aplicativos de transporte. Mas nem isso é perfeito: alguns motoristas tratam o cliente com descaso, utilizam som alto, deixam o ar-condicionado desligado (mesmo sendo obrigatório em várias categorias), entre outros problemas.
Esse é o perfil brasileiro: pessoas que não recebem muito, vivendo em um país caro, onde, paradoxalmente, as soluções “acessíveis” continuam sendo caras. É um ciclo. E o maior exemplo disso são justamente os carros populares que citamos. Popular? Popular para quem?
Vamos tratar agora da gasolina. Para quem já tem o carro, entra um dos custos mais sensíveis no dia a dia: o abastecimento. No momento em que escrevo este post, moro bem próximo a um posto e consigo ver os preços praticamente em tempo real. A gasolina comum está R$ 7,79. Sim, R$ 7,79.
E não estou nem falando do etanol, porque daqui não consigo visualizar o valor, mas basta consultar os dados oficiais da Petrobras para ter uma noção da realidade nacional:
https://precos.petrobras.com.br/sele%C3%A7%C3%A3o-de-estados-gasolina.
É isso mesmo que você leu: a gasolina no Brasil continua com valores elevados, variando por região, mas sempre pesando no bolso do consumidor.
Nesse ponto, ter um carro econômico realmente ajuda, e ajuda muito. Modelos como o Fiat Mobi e o Renault Kwid acabam se destacando justamente por isso. Mas veja o ciclo: primeiro você precisa ter condições de comprar o carro, depois arcar com IPVA, seguro, manutenção… e, por fim, ainda precisa conseguir abastecer.
Já viu aquele episódio de Todo Mundo Odeia o Chris em que tudo dá errado quando o personagem finalmente consegue algo que queria muito? No Brasil, às vezes, ter um carro parece seguir essa lógica: você consegue comprar, mas ele fica parado porque abastecer virou um luxo.

É Chris, não é só para você que ter carro é difícil, venha para o Brasil!
E, no fim das contas, chegamos ao ponto central da nossa reflexão. Depois de olhar para o preço de compra, seja de um Fiat Mobi ou de um Renault Kwid, passando pelos custos anuais, manutenção e, principalmente, pelo preço da gasolina, fica difícil sustentar a ideia de que o carro é algo simples ou “acessível” no Brasil.
A verdade é que o carro, para muitos brasileiros, vive em um limbo entre necessidade e luxo. Necessidade porque, em diversas regiões, o transporte público é ineficiente, demorado e, muitas vezes, indigno. Luxo porque, financeiramente, manter um carro exige uma renda que grande parte da população simplesmente não tem. E é justamente essa contradição que torna o tema tão relevante.
Não dá para ignorar que, em um país onde uma parcela significativa da população vive com renda limitada, assumir um compromisso financeiro desse tamanho pode comprometer toda a estrutura da vida financeira. Ao mesmo tempo, também não dá para julgar quem faz esse movimento, porque, muitas vezes, o carro não é sobre status, é sobre sobrevivência, tempo e dignidade.
Talvez a grande pergunta não seja se carro é necessidade ou luxo no Brasil, mas em que momento ele se transforma de solução em problema. Quando ele passa a consumir mais do que entrega? Quando começa a tirar sua tranquilidade financeira ao invés de facilitar sua vida?
No final, a decisão precisa ser consciente. Não baseada apenas no desejo, na comparação com outras pessoas ou na ideia de “conquista”, mas sim na realidade do seu bolso, da sua rotina e das suas prioridades. Porque, no cenário atual, ter um carro no Brasil pode até ser uma conquista, mas manter é que é o verdadeiro desafio.
E agora eu quero ouvir você: na sua realidade, carro é necessidade ou luxo?
Deixe seu comentário, quero saber sua opinião. Espero que tenha gostado do post e do tema. Nos vemos no próximo post.
Deus abençoe!

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