A Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos na quarta-feira (24), que causaram a morte de pelo menos 164 pessoas e deixaram cerca de 1.000 feridos, segundo as autoridades locais. Os tremores ocorreram com menos de um minuto de diferença: o primeiro registrou magnitude 7,2 e o segundo, magnitude 7,5, ambos com epicentro a aproximadamente 160 quilômetros a oeste de Caracas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
O impacto foi sentido principalmente na capital venezuelana e em regiões próximas, onde dezenas de edifícios desabaram. Equipes de emergência passaram a noite realizando operações de busca e resgate entre os escombros, enquanto familiares procuravam informações sobre pessoas desaparecidas. As autoridades informaram que os números iniciais de vítimas ainda não incluíam o estado de La Guaira, considerado o mais afetado.
O USGS afirmou, com base em seus modelos preditivos, que o número de mortes poderia chegar à casa dos milhares, havendo probabilidade significativa de ultrapassar 10 mil vítimas.
Por que terremotos acontecem na Venezuela?
Terremotos são fenômenos naturais causados pelo movimento das placas tectônicas, enormes blocos que formam a superfície terrestre. Quando essas placas acumulam tensão durante anos ou décadas e essa energia é liberada de forma repentina, ocorre um tremor de terra.
Segundo o documento, a Venezuela está localizada em uma região sismicamente ativa, onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana. Esse encontro entre placas aumenta a ocorrência de terremotos de diferentes intensidades.
A história do país confirma essa vulnerabilidade. O texto lembra que um forte terremoto ocorrido em 1812 provocou destruição generalizada nas cidades de Mérida e Caracas e teria causado aproximadamente 30 mil mortes, conforme estimativas do USGS. Caracas também foi atingida por um terremoto de magnitude 6,3 em 1967.
Resgates, desaparecidos e ajuda internacional
Imagens registradas após os tremores mostraram equipes de resgate retirando sobreviventes dos escombros de edifícios na capital. Moradores relataram momentos de pânico, descrevendo o cenário como semelhante a um “filme de terror”, enquanto muitos precisaram abandonar rapidamente suas casas.
A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que dezenas de prédios desabaram e destacou que os esforços de resgate estavam sendo intensificados para salvar o maior número possível de pessoas. Um site criado para localizar desaparecidos já registrava mais de 6.600 pessoas sem contato nas primeiras horas após a tragédia.
Os tremores secundários continuaram durante a madrugada, mantendo a população em alerta.
Inicialmente foi emitido um alerta de tsunami, mas ele foi cancelado pouco tempo depois, quando as autoridades concluíram que o risco havia passado.
Diversos países manifestaram solidariedade e ofereceram apoio à Venezuela. Entre eles estão Estados Unidos, Brasil, El Salvador, República Dominicana e Espanha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país estava “pronto, disposto e apto” a prestar assistência, classificando o desastre como responsável por um “número devastador de mortes”.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, até a divulgação da nota, não havia registro de brasileiros entre as vítimas e manifestou solidariedade ao governo e ao povo venezuelano.
Hospitais reforçam atendimento enquanto autoridades avaliam os danos
Os hospitais de Caracas mobilizaram equipes extras para atender o aumento da demanda por pacientes feridos. As aulas foram suspensas pelo restante da semana para facilitar as ações de emergência e permitir a avaliação dos danos estruturais.
Até o momento da publicação do documento, não haviam sido identificados danos imediatos à infraestrutura petrolífera venezuelana. Empresas que atuam no setor informaram que seus funcionários estavam em segurança, embora uma eventual interrupção prolongada no fornecimento de energia pudesse afetar a produção de petróleo caso o serviço demorasse a ser restabelecido.
O que essa tragédia ensina?
Além do impacto humano, o desastre evidencia como o conhecimento sobre riscos naturais é fundamental para reduzir perdas. Países localizados em regiões sismicamente ativas dependem de monitoramento constante, construções adaptadas às normas de segurança, sistemas de alerta e planos de evacuação para minimizar os efeitos de grandes terremotos.
Embora não seja possível impedir que um terremoto aconteça, medidas de prevenção e preparação podem salvar vidas quando eventos dessa magnitude ocorrem.



































