As estimativas do mercado financeiro para a economia brasileira voltaram a piorar. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22), a projeção para a taxa básica de juros (Selic) em 2026 subiu para 14%, enquanto a expectativa para a inflação medida pelo IPCA também avançou, reforçando a percepção de que o combate à alta dos preços continuará exigindo uma política monetária mais restritiva.
Mercado prevê juros mais altos em 2026
A principal mudança observada no levantamento foi a revisão da expectativa para a Selic em 2026. A projeção passou de 13,75% para 14%, marcando a terceira semana consecutiva de aumento nas estimativas dos analistas.
Para os anos seguintes, o cenário permaneceu relativamente estável. As previsões apontam uma Selic de 12% em 2027, 10,25% em 2028 e 10% em 2029.
O movimento sugere que o mercado continua enxergando dificuldades para uma redução mais acelerada dos juros nos próximos anos, especialmente diante das pressões inflacionárias ainda presentes na economia.
Inflação segue acima do esperado
As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também registraram nova alta.
Para 2026, a expectativa de inflação avançou de 5,30% para 5,33%, prolongando uma sequência de revisões positivas observada nas últimas semanas. Em 2027, a estimativa passou de 4,10% para 4,15%.
Já para 2028, o mercado elevou ligeiramente a previsão de 3,68% para 3,70%. Em 2029, a projeção permaneceu estável em 3,50%.
Os números indicam que os agentes econômicos continuam vendo dificuldades para que a inflação retorne de forma consistente aos níveis desejados pelo Banco Central.
IGP-M e preços administrados
No caso do IGP-M, índice amplamente utilizado em contratos de aluguel e reajustes comerciais, a projeção para 2026 apresentou leve recuo, passando de 6,22% para 6,15%.
Para 2027, entretanto, houve uma pequena elevação para 4,08%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram praticamente inalteradas.
Os preços administrados — grupo que inclui tarifas públicas e itens regulados pelo governo — mantiveram projeção de 5% para 2026. Para os anos seguintes, as alterações foram pontuais, sem mudanças significativas no cenário geral.
PIB mantém expectativa de crescimento moderado
As previsões para a atividade econômica continuam apontando expansão moderada.
O mercado estima crescimento de 1,98% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, representando a quinta revisão positiva consecutiva. Para 2027, a projeção segue em 1,70%.
Já para 2028 e 2029, as expectativas permanecem em 2%, indicando estabilidade nas perspectivas de crescimento de longo prazo.
Dólar tem poucas alterações nas projeções
No mercado de câmbio, a expectativa para o dólar em 2026 foi mantida em R$ 5,20.
Para 2027, houve uma pequena revisão para cima, de R$ 5,25 para R$ 5,27. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em R$ 5,30 e R$ 5,40, respectivamente.
Contexto
O Boletim Focus reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira. O levantamento é acompanhado de perto por investidores, empresas e formuladores de políticas econômicas, pois ajuda a medir as expectativas do mercado em relação à inflação, juros, crescimento econômico e câmbio.
A nova rodada de revisões mostra que os analistas ainda enxergam um cenário de inflação resistente, o que pode manter a taxa de juros em patamares elevados por mais tempo.





































